
Toda reunião de resultados tem um momento parecido: o stakeholder pergunta quanto tempo leva para fechar cada vaga e o time de Talent Acquisition (TA) responde com uma estimativa, não com dados reais e atualizados. É nesse momento que o time to fill deixa de ser uma linha da planilha e vira ativo estratégico, já que é um dos principais KPIs usados para relatar, refletir e decidir com clareza.
Neste artigo, você descobre o que é o time to fill, como calculá-lo corretamente e como manter o número sempre atualizado para garantir que as decisões do time sejam sempre orientadas por dados.
Time to fill é o número de dias corridos entre a abertura oficial de uma vaga, o momento em que ela é aprovada e publicada, e o dia em que o candidato aceita a oferta.
Time to fill = Data de aceite da oferta − Data de abertura da vaga
Diferente do time to hire, que mede a jornada individual do candidato a partir do primeiro contato dele com o processo, o time to fill mede a vaga como unidade de análise. Responde a uma pergunta que o RH tradicional sempre teve dificuldade de responder rápido: quanto tempo o negócio fica sem aquela posição preenchida?
Essa distinção entre time to fill e time to hire parece sutil, mas é ela que evita comparações erradas entre times e entre relatórios. Um recrutador pode ter um time to hire excelente por candidato e, ainda assim, a empresa ter esse indicador ruim. Isso acontece porque a vaga ficou parada por semanas antes do primeiro candidato ser abordado, esperando aprovação orçamentária ou definição de escopo com o gestor da área.
A fórmula é fácil de escrever, mas o resultado é facilmente influenciado. Os erros mais comuns acontecem em três pontos:
O tempo típico varia muito por tipo de vaga: operacionais costumam fechar em ciclos mais curtos, por terem mercado mais líquido, enquanto posições de gestão e de especialistas levam mais tempo. Uma tabela com dados reais ajuda a colocar o número da empresa em contexto antes de apresentá-lo:
| Nível do cargo | Tempo médio de contratação |
| Média geral (cargos não executivos) | 30 a 45 dias |
| Média padrão de mercado | 42 dias |
| Executivo (busca padrão) | 120 a 180 dias |
A pesquisa de benchmarking de recrutamento da SHRM, uma das entidades de referência em pesquisa de RH nos Estados Unidos, aponta mediana de 39 dias corridos para vagas não executivas e 45 dias para executivas, com organizações de práticas mais maduras em recrutamento preenchendo posições cerca de cinco dias mais rápido que a média do setor. O número brasileiro varia bastante por segmento e não há uma fonte única e consolidada equivalente para o país, então o mais responsável é usar a mediana do próprio histórico da empresa como linha de base e comparar apenas com o próprio desempenho ao longo do tempo, complementando com benchmarks internacionais como referência de direção, não de meta absoluta.
Não exatamente, e a diferença importa na hora de montar um relatório. O tempo médio de contratação costuma ser usado de forma mais ampla, somando o tempo de fechamento de cada vaga e dividindo pelo período da análise, sem considerar o nível de senioridade das posições. O time to fill, quando bem aplicado, é sempre calculado vaga a vaga e depois agregado. Isso preserva a possibilidade de segmentar por cargo, unidade de negócio ou gestor solicitante. Essa segmentação é o que transforma um número solto em um diagnóstico: se esse tempo geral de contratação da empresa está alto, é o indicador segmentado que mostra se o problema está nas vagas de tecnologia, em uma diretoria específica ou na etapa de aprovação interna.
A pressão não é sobre o RH parecer mais ágil por vaidade. No recrutamento corporativo, cada vaga aberta tem um custo agregado que aumenta ao passar dos dias: horas extras da equipe atual cobrindo a lacuna, receita que não entra porque o time comercial está incompleto, projeto de produto atrasado porque a vaga de engenharia não fechou. Quando a diretoria pergunta o time to fill, ela está, na prática, perguntando quanto risco operacional a empresa está carregando agora. Um coordenador de Talent Acquisition que responde com um número seguro e comparável não só ao histórico, mas à média de mercado, muda o tom da conversa: o RH sai da posição de executor e assume o papel de diferencial competitivo.
É aqui que a maior parte do problema deixa de ser sobre recrutar melhor e passa a ser sobre decidir mais rápido. Para isso, é fundamental ter controle e visibilidade total das métricas de cada processo seletivo em tempo real. Confira, no vídeo a seguir, como o InHire pode ajudar a transformar o seu time em uma equipe orientada por dados:
Reduzir o tempo de contratação de forma responsável passa por atacar as esperas, não as etapas de avaliação do candidato. Alguns pontos concentram a maior parte do ganho possível:
Essa frustração é familiar a qualquer profissional de Recrutamento e Seleção: a parte mais determinante do trabalho, que é atuar diretamente com pessoas e ocupar funções estratégicas, é tomada por uma carga operacional que consome as horas determinantes da rotina do recrutador.
Um ATS bem configurado ataca justamente esse ponto. Ele automatiza o operacional, melhora a experiência do candidato e entrega, para quem pergunta o número, uma resposta precisa, atualizada e direto da plataforma. Em clientes que usam o InHire, a automação do operacional reduz em média 42% as horas semanais gastas em tarefas manuais e corta 53% o tempo de triagem, segundo levantamentos da empresa junto à sua carteira de clientes.
Um líder que precisa analisar o time to fill para uma reunião de resultados não quer só o número, mas o número com contexto suficiente para sustentar uma decisão. Um bloco de relatório funcional costuma trazer:
Ter esses cinco pontos prontos, atualizados e sem depender de compilar planilhas na véspera da reunião é, na prática, a diferença entre a área de TA ser vista como reativa ou como estratégica.
O time to fill de uma vaga não é fixo, muda conforme o mercado de talentos daquela função aperta ou afrouxa, conforme a maturidade do processo de aprovação interna e conforme a complexidade do perfil buscado. Por isso, comparar o próprio histórico ao longo do tempo tende a ser mais útil do que perseguir um número de mercado genérico como meta absoluta. Ter controle sobre o próprio funil e conseguir explicar, com dados, qualquer variação nele importa mais do que vencer uma média externa.
